
CEARÁ LINDO MAR
um dos poucos lugares ainda semi naturais aparentemente. mas os peixes e as lagostas já estao cada dia mais raros.
Veja reportagem do aquaforum:
Os pescadores de Fortaleza estão preocupados com a escassez da lagosta. Nos últimos dois meses, eles têm optado por passar menos tempo no mar porque a pesca não está dando retorno, segundo o presidente da Colônia Z-8 de Pesca e Aquicultura de Fortaleza (Copeafor), Possidônio Soares Filho. Após os meses de defeso da lagosta, de janeiro a abril, os pescadores encontraram dificuldades para capturar o crustáceo, o que caracteriza que houve pesca predatória. “Desde maio, a produção tem caído bastante e não compensa mais para os pescadores ficar tanto tempo no mar”, diz.Por isso, muitos pescadores estão deixando o litoral do Ceará e viajando para estados como Pará, Maranhão Piauí, Bahia, Paraíba e até Espírito Santo. Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rolfran Cacho Ribeiro, os pescadores esperavam, em cada viagem, capturar cerca de 500 quilos, mas conseguiram somente 100 ou até menos. “Cerca de 50% dos barcos motorizados devem sair do Estado para pescar. Isso dá cerca de 500 embarcações”, afirma.Além da lagosta, os peixes também estão ficando mais raros, a exemplo do pargo, que é um dos preferidos pelos restaurantes para a elaboração dos pratos.Possidônio afirma estar vendo a história se repetir. Ele acompanhou a redução de diversas espécies de peixes como o batata, parum, lanceta, pirambu e, principalmente, o cangulo. “O cangulo chegava a ser um peixe chato de tanto que tinha no mar. A gente tentava pescar outra coisa e ele sempre vinha na linha. Hoje é a coisa mais difícil encontrá-lo”, afirma.Segundo ele, o pargo, apesar de já ter período de defeso a partir deste ano, continua diminuindo. “Sua captura está sendo exaurida ao máximo”, lamenta. Mesmo assim, os pescadores continuam procurando pelo pargo e lagosta. Segundo Possidônio, a culpa da escassez de peixes e lagostas não é do pescador artesanal. “Nosso principal problema são as pessoas que mergulham com compressor e fazem a caça submarina. Lá embaixo, eles estão vendo e pegam o que querem. Eles mergulham o ano todo e não respeitam o defeso”, reclama.A pesca submarina utilizando o compressor é proibida pelo Ibama, salvo para a captura de peixes ornamentais vivos. O problema é que não há condição de fiscalizar. O chefe do Núcleo de Pesca do órgão, Cláudio Ferreira, explica que existem 7.122 embarcações cadastradas, sendo 900 de pesca, nos 577 km de litoral e seria impossível supervisionar o trabalho de todos eles.Ferreira alerta que, além de prejudicar o ecossistema marinho, os mergulhadores arriscam a própria vida no fundo no mar. “Eles descem com uma mangueira ligada no compressor e respiram por lá. Não há preocupação com a descompressão. Muita gente morre ou fica deficiente por conta da prática”, diz.Para o presidente da Z-8, Possidônio Soares, o que falta é a fiscalização do Estado. “A gente sabe que existe a legislação, mas não adianta só fazer lei e deixar no papel”, ressalta.Enquanto não consegue inibir a pesca irregular, a Z-8 tenta conscientizar os pescadores associados. Em Fortaleza, são sete mil pescadores e marisqueiros cadastrados.Veja mais...Escassez da lagosta causa desempregoPescadores cearenses sofrem a conseqüência da prática da pesca predatória. Como a produção das pescarias não é suficiente para pagar nem as despesas do barco, muitos estão desempregados.De acordo com o chefe de fiscalização do Ibama, Rolfran Cacho Ribeiro, com a queda da produção, os proprietários de barcos resolveram migrar para o litoral maranhense. Assim, os pescadores ficam sem opção de trabalho.Para se ter uma idéia da diminuição da lagosta no litoral do Ceará, no ano passado, um barco com 500 manzuás trazia, depois de um mês no mar, até 800 quilos de lagosta. Este ano, no primeiro mês liberado para a pesca, as embarcações apanharam apenas cerca de 150 quilos.“O problema é muito grave porque os primeiros meses após o defeso costumavam ser os mais produtivos”, diz o presidente da Colônia Z-8 de Pesca e Aqüicultura de Fortaleza, Possidônio Soares.O problema é causado pela pesca predatória realizada durante o defeso ou com a utilização de caçoeira de malha dura e compressor. O Ibama, conforme Rolfran Ribeiro, está intensificando as fiscalizações e conta agora com dois barcos para as operações no mar. Ontem mesmo, sete pequenos barcos, que pescavam irregularmente na costa de Fortaleza, foram identificados e advertidos.Fonte: Diário do Nordeste - Cidade